Depois que o isolamento acabar, a primeira coisa que vou fazer é…

Família, esporte, amigos, parques, cinema: pessoas contam do que estão sentindo mais falta 

Tema discutido hoje no Programa Estação Livre na Rádio Aliança FM 99,9 apresentado por Claudemir Lima com participação de Rosely Pereira no quadro É Bom Saber.

Via GZH

Imagem: GZH/Arquivo

Cada um de nós sabe – ou pelo menos acha que sabe – do que está sentindo mais falta. Muitos anseiam pelo fim do distanciamento social exigido pela pandemia de coronavírus: querem rever familiares e amigos, voltar a passear despreocupadamente, praticar esportes (sejam individuais ou coletivos), curtir espaços de lazer. 

Nesta reportagem, 22 pessoas, com idades que variam de 17 a 78 anos, entre estudantes e aposentados, escritores e comerciantes, esportistas e designers de moda, profissionais da saúde, da Justiça e de outros setores, respondem qual será a primeira coisa que farão assim que o isolamento acabar.

Filipi Barbosa (publicitário, 30 anos)

Filipi Barbosa / Arquivo Pessoal
Filipi Barbosa / Arquivo Pessoal

“Quando isso tudo acabar… a lista é grande: quero abraçar as amizades. Brindar e comemorar! Celebrar a vida em grande estilo. Mais afeto e união. Reunir todo mundo com muita, muita alegria. Avidez e sentimento nos dias que virão. Olho no olho. Longos quilômetros serão percorridos para que o destino nos presenteie com largos sorrisos e fortes abraços. Aproveitar cada momentinho de carinho e as nuances em cores e sons. Sem pressa ao ressignificar a poesia e a fé das nossas rotinas.”

Mariana Annie Ruaro (designer de moda, 34 anos)

Mariana Annie Ruaro / Arquivo Pessoal
Mariana Annie Ruaro / Arquivo Pessoal

“Visitar a minha avó Beatriz e minha tia Elisabeth e abraçar elas bem forte vai ser a primeira coisa que farei quando a quarentena acabar. Elas moram juntas, então poderei sair correndo e matar a saudade de uma só vez. Esse caos todo e essa quebra da realidade que vivemos me aproximou mais ainda do amor profundo que tenho por ambas. Ainda bem que temos telefone e internet, porque não sei como estarei sem poder ao menos falar com elas. A saudade é imensa.”

Fioravante Strapação (aposentado, 78 anos)

Márcio Strapação / Arquivo Pessoal
Márcio Strapação / Arquivo Pessoal

“Morando em Rainha do Mar (praia de Xangri-lá), eu sinto falta de ir até o mar, de pescar, mas, especialmente, sinto muita falta das minhas caminhadas. Logo que eu puder, quero voltar a fazê-las. Eu gosto muito de caminhar sentindo o cheirinho do mar.” 

Daniela Santarosa (ultramaratonista, 43 anos)

Daniela Santarosa / Arquivo Pessoal
Daniela Santarosa / Arquivo Pessoal

“Correr uma maratona (42km) num final de semana qualquer, sem preocupação alguma nem destino definido. Será uma celebração solitária à vida. Também será uma forma de me conectar à cidade e demonstrar meu carinho por ela. Quero percorrer suas ruas arborizadas e suas avenidas movimentadas, e sonho ver o sorriso e a reação dos moradores saindo da quarentena, valorizando o que de mais precioso temos: a liberdade.”

Emilio Moriguchi (médico, 62 anos)

Emilio Moriguchi / Arquivo Pessoal
Emilio Moriguchi / Arquivo Pessoal

“A primeira coisa que eu vou fazer assim que tudo isso acabar: visitar meus pais, que têm 91 (Lia) e 94 anos (Yukio), e reunir a família.”

Marina Garcia (cantora, 36 anos)

Marina Garcia / Arquivo Pessoal
Marina Garcia / Arquivo Pessoal

“Além da saudade óbvia de amigos e familiares, tenho sentido falta é dos shows. Tenho banda desde os 13 anos de idade e cantar é, de longe, o que mais amo fazer na vida. Venho gravando vídeos no Instagram pra continuar o trabalho de alguma forma, por enquanto, mas nada se compara à vibe do palco ao vivo! Fazia de dois a três shows por semana, acústicos e com a minha banda Steven’s Band, e estou sentindo muita falta. A primeira coisa que quero fazer quando acabar o distanciamento social é reunir todos os meus amigos num bar e tocar com a minha banda.”

Zé Adão Barbosa (ator e professor de teatro, 62 anos)

Zé Adão Barbosa / Arquivo Pessoal
Zé Adão Barbosa / Arquivo Pessoal

“Estou tendo a felicidade de poder continuar dando aulas, online (a Casa de Teatro não para). Leio muito, pesquiso, vejo séries, filmes, faço faxina, invento comidas e bato papos virtuais com os amigos. Sou um otimista incorrigível e acho que vamos sair dessa mais fortes e mais humanos. Mas o que mais me faz falta é a convivência com os irmãos, os amigos e os alunos. Quero abraçar muito quando a vida voltar ao normal. La nave va.”

Eliza S C Brenner (enfermeira, 40 anos)

Eliza S C Brenner / Arquivo Pessoal
Eliza S C Brenner / Arquivo Pessoal

“Quando essa pandemia passar e acabar a necessidade de distanciamento social, vou sair para passear com a minha família e abraçar meus parentes e amigos. Esse isolamento e o medo reforçaram o valor que vejo nas pessoas que eu amo. E isso é o que mais importa! Está sendo muito difícil, principalmente para meus filhos, nos mantermos afastados dos seus avós, tios e primos. Gostaria também de passar um fim de semana em Gramado e poder caminhar livremente pelas ruas de lá.”

Léa Masina (professora, 75 anos)

Léa Masina / Arquivo Pessoal
Léa Masina / Arquivo Pessoal

“Assim que terminar o isolamento, vou correndo abraçar meus netos. Somos vizinhos e, por enquanto, só os vejo pela janela. Aniversário, Páscoa, datas da família, tudo foi postergado: sem carinho, sem beijo, sem abraço. Sinto falta de escutar suas vozes, o som das brincadeiras, das falas, das aulas de piano, das brigas, de vê-los brincando com o gato. Assim que der, quero sentir os bracinhos roliços no meu pescoço. O roçar dos cabelos macios no meu rosto. E contar histórias para eles, ver os desenhos, os textos, os jogos, saber dos livros que leram. E ouvi-los falar do seu retiro, sem escola, sem passeios, sem amigos para brincar. Mas com pai e mãe em casa, futebol no pátio do edifício, o filme curtido em família, os temas da escola supervisionados num convívio integral antes raramente partilhado. Depois de muito carinho e colo, vou pensar no resto.”

Jorge Terra (procurador do Estado, 53 anos)

Jorge Terra / Arquivo Pessoal
Jorge Terra / Arquivo Pessoal

“Durante muito tempo, pratiquei basquete. Esse esporte, além de propiciar conhecer pessoas e oportunidades educacionais, ensinou-me lições que guardei para sempre. Por ser um esporte coletivo, embora acabemos por destacar atletas em equipes vencedoras, o basquete permite perceber como cada função é importante e como não se vence os grandes adversários sem um esforço coletivo. O período de distanciamento social tem me levado a pensar sobre como as pessoas se mobilizam, sentem, decidem e sobre como as decisões são tomadas no centro das instituições. Tocado por isso, logo que o distanciamento social findar ou se abrandar, quero voltar a praticar basquete e, por uma hora ou um pouco mais, sob o sol, vivenciar momentos de construção coletiva de resultados.”

Indira Cleff (estudante, 17 anos)

Indira Cleff / Arquivo Pessoal
Indira Cleff / Arquivo Pessoal

“Com essa quarentena, eu acabei me afastando muito da minha irmã caçula de um ano e quatro meses, já que eu não moro com ela, por isso quero muito ver ela e meu pai. A segunda coisa que eu farei será fazer uma festa para comemorar os meus 18 anos, que infelizmente serão festejados dentro de casa.”

Jorge Luiz Day Barreto (professor aposentado, 69 anos)

Jorge Luiz Day Barreto / Arquivo Pessoal
Jorge Luiz Day Barreto / Arquivo Pessoal

“A pandemia interrompeu toda minha programação esportiva do semestre. Hoje eu estaria jogando o Brasileiro Master em Santos (cancelado) e em maio estaria em Minneapolis, nos Estados Unidos, participando do US Open Volleyball Championships (cancelado). Estou louco para voltar a praticar o meu esporte, conviver com os amigos e voltar às competições.”

Luciana Gómez Pires (empresária, 46 anos)

Luciana Gómez Pires / Arquivo Pessoal
Luciana Gómez Pires / Arquivo Pessoal

“E, de repente, a gente se sente órfã de mãe viva. E a capital do Estado nunca esteve tão distante de Canela. Descer a Serra não me parecia muito atraente até pouco tempo, mas agora… que saudade da Redenção! Que saudade do colinho de mãe! E não é que o poeta estava certo? O mais simples é o mais importante. Primeira coisa que farei depois que esta loucura passar? Sem sombra de dúvida, abraçar minha mãe e andar pelas ruas deste Porto que pode ser muito alegre, sim!”

Ronald Augusto (poeta, 58 anos)

Ronald Augusto / Arquivo Pessoal
Ronald Augusto / Arquivo Pessoal

“Quando tudo isso acabar, isto é, a pandemia do coronavírus, a quarentena etc, quero sair com minha mulher e meus quatro filhos para passear na Redenção numa tarde ensolarada de domingo. E ao lado deles tomar cervejas especiais em qualquer bar, porém com a condição de que seja em um bar com mesas ao ar livre. A caçula, que tem 11 meses, tomará água ou suco natural, óbvio. Por outro lado, infelizmente, quando tudo isso acabar, é bem possível que o atual presidente da República e seus fiéis ainda sigam empenhados na destruição do país. Pois é, e quando isso vai acabar?”

Vanila Gamarra Dias (gestora comercial, 45 anos)

Vanila Gamarra Dias / Arquivo Pessoal
Vanila Gamarra Dias / Arquivo Pessoal

“A primeira coisa que eu pretendo fazer é trazer minha filha mais velha, a Lisiê, que mora em Porto Alegre, para ficar uns dias conosco. Somos uma família grande, mas também é grande o vazio de ela não vir, de ela não estar, a primeira Páscoa longe… Meu desejo é de um demorado abraço, um mate bem cevado, sentadas na frente da nossa casa vendo o pôr do sol como sempre fazemos quando ela vem. Tudo igual, tudo simples, tudo tão nosso!”

Leonardo Jean Traporti (vendedor informal, 20 anos)

Leonardo Traporti / Arquivo Pessoal
Leonardo Traporti / Arquivo Pessoal

“A primeira coisa que farei quando a quarentena acabar será sair correndo e partir direto pro cinema, comprar a maior pipoca e usufruir de seja lá qual filme estiver sendo exibido, pois cinema serve muito bem para, em tempos de crise, nos libertarmos do nosso mundo que tanto nos deixou pra baixo neste 2020 e embarcarmos em histórias diferentes e fantásticas, deixando as preocupações de lado por duas horas.”

Alexandre De Nadal (arquiteto e artista visual, 41 anos)

Alexandre de Nadal / Arquivo Pessoal
Alexandre de Nadal / Arquivo Pessoal

“Ao divagar sobre o assunto, primeiro pensei nos amigos. Amigos vêm e vão, amores também. Os mais especiais ficam. Também me deu saudades da natação. A sensação do corpo deslizando n’água. Mas aí lembrei da família. Quando você nasce, mãe e pai já estão ali, te olhando. Te educam para a vida e participam de muitas das tuas conquistas e alegrias. Nunca cobram algo em troca. E depois, quando se forem? Depois, irão te acompanhar para sempre no coração. Faz parte da vida… Pois a primeira coisa que farei, assim que tudo isso acabar, é ir ao tradicional almoço de sexta na casa deles, junto com minha irmã, e abraçá-los com todo o carinho. Papear bastante e curtir cada momento. Num mundo cada vez mais imerso no ódio, no grito e na divisão, compartilhar amor.”

Ana Luiza Neuenfeldt (psicanalista, 47 anos)

Ana Luiza Neuenfeldt / Arquivo Pessoal
Ana Luiza Neuenfeldt / Arquivo Pessoal

“Por aqui, amamos sol e céu azul para passar o dia na rua. Assim que pudermos sair de casa, eu, Bia e Guto queremos muito descer a pé até nossa praça preferida, lugar das brincadeiras da primeira infância e que recebe uma linda feira orgânica ao sábados. Vamos voltar a estender nossa toalha no chão embaixo da nossa árvore de sempre. Vamos deitar de novo na grama (que saudade!). Não vai faltar a bola, o frisbee, o mate, a cachorrada, a conversa com os amigos queridos que sempre encontramos por lá. Esperamos ansiosos por este dia, mas sabendo que agora é hora de pensarmos em todos e fazermos nossa parte ficando em casa, mas sempre sonhando com a grama verdinha da nossa praça querida.”

Tiago Carrão Bertoldo (advogado, 37 anos)

Tiago Carrão Bertoldo / Arquivo Pessoal
Tiago Carrão Bertoldo / Arquivo Pessoal

“Assim que o distanciamento social terminar, espero que o futebol retorne com a liberação das torcidas. Então, poderei realizar um grande sonho: assistir ao Gre-Nal da Copa Libertadores no Estádio Beira-Rio.”

Cindy Palominos Muñoz (dona de casa, 54 anos)

Sergio Stangler / Arquivo Pessoal
Sergio Stangler / Arquivo Pessoal

“O fechamento das fronteiras nacionais nos pegou em pleno território chileno, onde estávamos viajando pelo Atacama, de carro. Tivemos que voltar de avião e deixar o automóvel lá. A primeira coisa que vou fazer quando acabar a quarentena é voltar ao Chile e desfrutar da liberdade de percorrer as belezas do país e da cordilheira dos Andes.”

Gustavo Melo Czekster (escritor, 43 anos)

Gustavo Melo Czekster / Arquivo Pessoal
Gustavo Melo Czekster / Arquivo Pessoal

“Em períodos de isolamento social, é mais fácil notar o quanto os gestos simples, aos quais não prestamos atenção, estão incorporados ao cotidiano. Por isso, quando a quarentena acabar, eu vou sair por aí caminhando. Sinto falta de caminhar pelas calçadas, pelos parques, por entre as árvores, à beira de lagos ou do Guaíba, pelas feiras, por entre as pessoas do bairro e do Centro, caminhar sem um rumo definido, só pelo prazer de voltar a sentir a vida ao redor. Apesar de o isolamento ser algo esperado para um escritor, é quando perdemos a liberdade de ir e vir sem medo que mais damos valor ao desejo de estar de volta em sociedade, de caminhar por entre desconhecidos correndo o risco de encontrar algum amigo, de flanar por entre conversas, dramas e risadas. Mal vejo a hora de ver todo mundo de novo.”

Martina Campos Teichmann (estudante, 17 anos)

Martina Campos Teichmann / Arquivo Pessoal
Martina Campos Teichmann / Arquivo Pessoal

“Acho que nunca senti tanta necessidade de um abraço amigo nesses últimos tempos. Mas não um abraço de saudade, e sim um abraço do dia a dia, aquele que demonstra o amor constante que tu sente pela pessoa. Quero envolver meus amigos de forma carinhosa e falar o quão importante eles são na minha vida, pois percebi que não me sinto completa sem eles, sem as risadas e as brincadeiras diárias, afinal eles me ajudam a criar minha identidade e a me inspirar a ser a melhor versão de mim mesma. Quero muito sentir a energia daqueles que eu amo com todo o meu coração. Quero apertar meus amigos bem apertado, para me recarregar com as energias boas e positivas que parecem que foram indo embora durante esses tempos.”

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