IPÊ: sua flor é simbolo do Brasil; a beleza exuberante atrai espectadores na região norte de MT

Apesar que poucas pessoas sabem, o ipê amarelo é considerado árvore de ‘madeira de lei’, portanto protegido pela lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais), destaca a doutora Norma Nobre*

Por Claudemir Gonçalves de Lima

O ipê amarelo (Tabebuia chrysotricha) é considerado árvore de ‘madeira de lei’, portanto protegido por lei. – Foto: @Claudemir Gonçalves de Lima

Ao olharmos a paisagem no cenário florestal norte mato-grossense, mais precisamente em Colíder (MT), há 632 Km de Cuiabá, uma árvore tem nos chamado a atenção: o ipê. O ipê tem se destacado diante de outras espécies de árvores nativas. Ao ver um ipê florido, em seu habitat natural, as pessoas querem registrar com selfies, fotos amadoras e ensaios profissionais, tendo como pano de fundo, as cores vibrantes do Ipê. Praticamente 80% destas fotos vão parar nas redes, mostrando a exuberância desta árvore aos amigos virtuais. E você conhece bem o Ipê?

A redação do Altonorte foi pesquisar sobre o Ipê, árvore típica de nossa região. Para um norteamento científico em busca de aprendizado sobre o Ipê, entrevistamos Norma Nobre, Doutora em Entomologia e Conservação da Biodiversidade, pela Universidade Federal da Grande Dourados/UFGD e Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade do Estado de Mato Grosso/UNEMAT.

O ipê, também conhecido como pau-d’arco floresce no período com menos chuvas e mais ventos (julho e agosto). Durante a floração, a árvore perde completamente suas folhas (caducifólia), a copa fica coberta de flores que podem ser amarelas, rosas, roxas, brancas e até verdes. Essas flores cobrem toda a estrutura arbórea da copa, aspecto que chama a atenção de muita gente que aproveita para fazer belas imagens fotográficas. Entretanto, apesar da beleza e coloridos das flores, essas estruturas duram apenas algumas semanas“, explica.

Segundo a pesquisadora em biodiversidade, doutora Norma Nobre, o município de Colíder (MT), “localiza-se na porção norte mato-grossense em uma região de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. Essa floresta, famosa por sua exuberância e rica biodiversidade abriga aproximadamente 30 mil espécies de plantas”.

Toda a biodiversidade (flora, fauna, recursos naturais e patrimônio cultural) é protegida pela Lei de Crimes Ambientais de 1998, N° 9.605, que criminaliza toda exploração ilegal. O estado brasileiro possui órgãos fiscalizadores, como o Conselho Nacional do Meio Ambiente (consultivo e deliberativo), Ministério do Meio Ambiente (órgão central), IBAMA (órgão executor), ICMBIO (fiscalizador) entre policias estaduais e federal. Nas últimas operações e em casos de extremo descontrole como vem ocorrendo com o desmatamento da Amazônia Legal, o Exército Brasileiro presta apoio de fiscalização e execução ao governo federal.

Mesmo sendo protegido por lei, o ipê acaba sendo retirado do seu meio sem a devida preocupação com a reposição, com o reflorestamento. Norma Nobre destaca que “no Brasil, a beleza das flores dessas árvores inspirou a Lei 6.507/1978, que caracteriza a flor do ipê como a flor símbolo do país”. Em 1961, Jânio Quadros decretou a flor do ipê-amarelo como símbolo do Brasil. Artistas da musica sertaneja, como Liu e Léu, poetas como Rubem Alves, entre outros artistas, enalteceram esse símbolo do bioma brasileiro. Assim sendo, o ipê deveria ser mais bem protegido pelas autoridades regionais, estaduais e federal.

Para Norma Nobre, “na região norte mato-grossense há maior ocorrência do ipê amarelo (Tabebuia chrysotricha (Mart. ex A. DC.) Standl.).  Apesar que poucas pessoas sabem, o ipê amarelo é considerado árvore de ‘madeira de lei’, portanto protegido por lei. Cortar essas árvores sem prévia autorização do Poder Público, configura crime definido no art. 45 da Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais)”, enfatiza.

No entendimento da pesquisadora, sua exploração é comum de acontecer “por ser uma árvore nativa, resistente e uma planta muito utilizada para a arborização urbana de vias públicas, praças, bosques, entre outras áreas verdes. Além do aproveitamento paisagístico, a madeira do ipê (escura, dura e resistente água) é muito apreciada no mercado moveleiro”.

Ipê- roxo, nome científico Handroanthus impetiginosus – Foto: @Claudemir Gonçalves de Lima
Norma Aparecida de Oliveira Nobre – Foto: arquivo pessoal/entrevistada

*Norma Nobre é Doutora em Entomologia e Conservação da Biodiversidade – Universidade Federal da Grande Dourados/UFGD. Mestre em Ciências Ambientais pela Universidade do Estado de Mato Grosso/Unemat. Especialista em Desenvolvimento Agroflorestal Regional/Unemat. Licenciada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado de Mato Grosso. Professora da Rede Municipal de Educação- Prefeitura Municipal de Colíder.

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