Silval Barbosa afirma que Ministério Público sabia das extorsões de deputados

João Vieira

O ex-governador Silval Barbosa afirmou, durante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara de Cuiabá, na manhã desta segunda-feira (2), que o então chefe do Ministério Público (MP), Paulo Prado, sabia dos pedidos de extorsão dos deputados estaduais, mas não fez nada. Silval disse ainda que se ofereceu para gravar essas tentativas, para que o MP pudesse tomar providências, mas que não obteve resposta.

Silval afirmou que se reunião duas vezes com Paulo Prado para falar sobre as pressões que estava sofrendo e que atrasavam as obras. Em um segundo encontro, foi falado sobre a possibilidade de gravar os pedidos de extorsão, mas o plano não foi efetivado.

“Ele disse: vamos gravar aqui dentro e flagrar. Ficou de estudar e ficou por isso mesmo”, disse Silval sobre Paulo Prado. Nesses encontros Silval teria dito que passando por problemas não só na Assembleia Legislativa, mas em outras instituições também.

Sem resposta do MP, o ex-governador disse que precisou “tocar as obras” do jeito que tocou, com o pagamento de propina para evitar problemas e atrasos na Assembleia Legislativa, que incluíam a aprovação de crédito suplementar, do orçamento e de projetos.

Em seu depoimento, Silval voltou a afirmar que o acordo com os parlamentares era de R$ 600 mil, divididos em 12 parcelas de R$ 50 mil. Entre os que participaram do esquema, segundo o ex-governador, estão o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB).

“Não tem nada a ver esse negócio do instituto, de dívida. Esse aqui era acordo com a Assembleia Legislativa, fruto de extorsão mesmo”, disse Silval sobre o valor recebido por Pinheiro.

Outro lado

O Ministério Público se manifestou sobre o caso com a seguinte nota:

“Com relação à afirmação feita pelo ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa, em depoimento à chamada “CPI do Paletó” nesta segunda-feira (02/03), na Câmara Municipal de Cuiabá, de que teria solicitado ajuda ao Ministério Público Estadual, por intermédio do então procurador-geral de Justiça, Paulo Prado, porque estaria sofrendo, durante sua gestão, chantagem de deputados estaduais para que projetos de obras da Copa do Mundo de 2014 fossem aprovados pela Assembleia Legislativa, o Procurador Paulo Prado tem a esclarecer o seguinte:

‘Ainda na gestão do ex-governador, durante uma audiência de caráter institucional no Gabinete do Palácio Paiaguás, Silval Barbosa, fugindo da pauta, em determinado momento afirmou que não estava mais suportando as pressões feitas pelos deputados estaduais, que solicitavam pagamento de propina para aprovar projetos de obras para a Copa do 2014 em Cuiabá.

Em resposta, sugeri que o então governador se reunisse com sua assessoria direta e com a área de inteligência do Governo e preparasse uma representação formal detalhada da suposta chantagem que estaria sofrendo, inclusive informando os nomes dos parlamentares que exigiam propina. Sugeri também, inclusive, que na condição de vítima, ele poderia gravar as supostas tentativas de extorsão e então encaminhar o material ao Ministério Público Estadual para as devidas providências.

Entretanto, o senhor Silval Barbosa nunca encaminhou qualquer tipo de documento ao MP para formalizar uma denúncia e solicitar a atuação ministerial.'”

Fonte: https://www.gazetadigital.com.br/editorias/politica-de-mt/silval-barbosa-afirma-que-ministrio-pblico-sabia-das-extorses-de-deputados/609044

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