Agricultores já vendem soja que só vai ser colhida daqui a dois anos em MT

Primeiras negociações envolvendo a produção da safra 2021/22 foram confirmadas pelo Imea; estado nunca havia registrado tanta antecipação nas comercializações do grão

Via Canal Rural

Foto: Ivan Bueno/APPA

Resta pouca soja disponível para venda em Mato Grosso. No estado que mais produz o grão no Brasil, praticamente 96% da safra colhida este ano já foram negociados. Volume superior ao registrado nesta mesma época do ano passado, 84%. A antecipação mais expressiva também é vista na safra que será plantada a partir do dia 15 de setembro no estado. Quase 47% da oleaginosa que deve ser produzida no ciclo 2020/21 já foram vendidos, contra 23% em igual período do ano passado. O cenário indica a demanda consistente pelo grão e o olhar atento dos agricultores às oportunidades que surgem no mercado.

O que mais chama a atenção, no entanto, não é ritmo acelerado das vendas… mas a precocidade na realização de negócios da temporada 2021/22. Sim, já há relatos em Mato Grosso de agricultores que começaram a comercializar o grão que só vai ser colhido daqui a dois anos! Essa antecipação é inédita no estado. Normalmente as primeiras vendas de uma safra são registradas no mês de dezembro, cerca de 10 meses antes do início do cultivo. Desta vez, a negociação é feita cerca de 15 meses antes dos sinal verde para o plantio.

Responsável pela área de agricultura no Imea, Marcel Durigon explica o atual cenário. “A gente acredita que o Dólar neste patamar elevado, em torno de R$ 5,20/R$ 5,30, acaba levando a saca de soja aqui em Mato Grosso e aqui no Brasil a patamares altos. Somado a isso, tem a relação de oferta e demanda com a quebra de safra dos Estados Unidos no ano passado – que acabou auxiliando as nossas exportações este ano – bem como o esmagamento no mercado interno que está aquecido. Ou seja, são vários fatores que levam a negociações lá na frente. O mercado acaba querendo se antecipar mais para ter segurança sobre a matéria-prima que vai abastecer a indústria processadora, até mesmo aquelas de fora do Brasil. E Mato Grosso, por ser responsável por 10% da soja mundial, acaba sendo sempre o foco. Logo, essa precocidade é estranha para o histórico, mas é interessante para o produtor”, analisa.

Por enquanto o Imea ainda não tem balanço sobre o volume já negociado para a safra 2021/22 e – consequentemente – ainda não tem como traçar o preço médio desta comercialização. “O que a gente vem percebendo é que não são em todas as regiões que estão rodando os negócios da safra 2021/22. São realmente negócios pontuais, em algumas regiões e empresas, a preços bem diferenciados. Como ainda está muito cedo, cada empresa acaba negociando um valor com o produtor, dependendo se a operação é em barter (troca de grãos por insumos) ou se não é. O que a gente vê é que nessa venda a prazo, logicamente os preços são um pouco menos que o os preços atuais, embora estejam próximos aos valores de negociação da safra 2020/21”, comenta.

A orientação é para que o agricultor faça as contas e fique atento ao câmbio na hora de decidir se vale ou não a pena negociar a produção com tanta antecedência

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.