Defensoria Pública pede monitoramento da saúde de 9,6 mil presos e policiais penais do Estado por meio de testagem

A detecção precoce, isolamento e o tratamento de presos e trabalhadores do sistema prisional é tida como a saída mais eficaz para mitigar o avanço da Covid-19 nas unidades

Via Assessoria Defensoria Publica MT

Dois presos tentam fugir na Cadeia Pública de Barra do Bugres — Foto: Divulgação

A Defensoria Pública de Mato Grosso (DPMT) protocolou na Justiça pedido de testagem em massa para 9.651 presos do sistema prisional do Estado, abrigados em penitenciárias e cadeias públicas de 21 municípios, nos quais agentes prisionais e presos apresentaram sintomas ou confirmação de Covid-19. Além dos presos, é solicitado do sistema que o mesmo procedimento seja adotado em relação aos policiais penais.O Pedido de Providências foi feito pelo Grupo de Atuação Estratégica em Direitos Coletivos (Gaedic/Sistema Carcerário), nas várias comarcas, considerando informações da saúde pública de que o sistema encontra-se colapsado, com base na afirmação de que no dia 4 de julho existia no Estado uma fila de 69 pessoas à espera de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). 

Paralelo a isso, informam que a tendência de crescimento no número de casos ainda não atingiu o pico na Capital ao citar estudo da Universidade Federal de Mato Grosso, no qual a instituição afirma que em Cuiabá, a situação só chegará ao ápice do contágio em setembro de 2020.

“Infelizmente, o número de mortes evitáveis aumentará, e muito, nas próximas semanas, uma vez que, naturalmente, o número de casos continuará subindo e mais pessoas precisarão de leitos de UTI. Com os leitos indisponíveis, sobrará às pessoas apenas a crença na divindade de sua escolha”, diz trecho do pedido.

Os defensores recordam ainda que a superlotação e as condições insalubres e inadequadas das prisões em Mato Grosso não garantem o mínimo de condições sanitárias para evitar a propagação do vírus ou garantir cuidados de higiene individual aos presos, restando como alternativa única, o monitoramento para que contaminados sejam isolados dos saudáveis e recebam tratamento.

“Em reunião na semana passada com as equipes da saúde pública das duas maiores cidades do Estado fomos informados que não há estrutura para atendimento dos que estão aqui fora e que para atender aos presos, o mais viável é criar estruturas de atendimento nas unidades prisionais. O mínimo que se pode fazer diante da situação atual é identificar e tratar os doentes identificados precocemente”, afirma o coordenador do Gaedic, André Rossignolo.

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