PF diz que grupo recebeu mais de R$ 100 milhões em esquema de corrupção em MT

De acordo com a Polícia Federal, o esquema criminoso foi facilitado pelo núcleo empresarial da organização, que conseguiu galgar espaços importantes no serviço público

Via Reporter MT

Foto por: PF/divulgação

O grupo criminoso desarticulado pela Polícia Federal na sexta-feira (30), alvo da Operação Curare e suspeito de fraudes em contratações emergenciais, recebeu mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de Cuiabá entre 2019 e 2021.

De acordo com a Polícia Federal (PF), o esquema criminoso foi facilitado pelo núcleo empresarial da organização, que conseguiu galgar espaços importantes no serviço público.

Entre os alvos da operação estão o advogado Alexandre Beloto Magalhães de Andrade, que comandava a Empresa Cuiabana de Saúde Pública (ECSP) em 2019 e 2020, e o atual secretário de Saúde, Célio Rodrigues, que atuou na Empresa entre 2020 e 2021.

As investigações apontaram que o grupo fraudava contratações emergenciais, usando orçamentos falsificados para apontar uma possível concorrência nos procedimentos. Inclusive, descobriu-se que algumas sociedades empresariais seriam de fachada.

O pagamento ao grupo criminoso era feito pela Secretaria de Saúde do município e pela Empresa Cuiabana, considerando serviços prestados com o gerenciamento e atividades em leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Com a chegada da pandemia, as contratações emergenciais, sem procedimento de licitação, se intensificaram, dessa vez para atuação nas UTIs especializadas em tratamento da covid. A falta de licitação também possibilitou pagamentos “indenizatórios” a esse grupo, justificado por serviços como o plantão médico, disponibilização de profissionais de saúde, sobreaviso de especialidades médicas, comodato de equipamentos de diagnóstico por imagem, transporte de pacientes, etc.

Após a deflagração da operação, a Prefeitura de Cuiabá informou o afastamento dos dois gestores investigados.

Cabe destacar que suspeita de irregularidades em contratos da Empresa Cuiabana levou o Ministério Público Estadual a investigar, por duas vezes, o secretário Célio Rodrigues. Uma dessas investigações mirou a empresa Ultramed Sociedade Empresária, que tem contrato de R$ 4,032 milhões, firmado com dispensa de licitação.

Entre as irregularidades apontadas está o fato de que um dos sócios da empresa contratada atual como membro da Comissão Emergencial de Processo Administrativo da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, que fez essa contratação. Outras falhas, como falta de sede e a atividade econômica registrada que não tem a ver com o objeto do contrato também foram apontados pelo MPE

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