PF investiga se dono de concessionária de luxo é parceiro ou subordinado de líderes de organização criminosa

Via Olhar Direto

Por Wesley Santiago

Foto: Reprodução/google

A Polícia Federal ainda investiga se o empresário Tairone Conde Costa, dono de uma concessionária de luxo e preso na sexta-feira (11), na ‘Operação Status’, deflagrada com objetivo de combater a lavagem de dinheiro do tráfico de drogas, seria parceiro ou apenas um subordinado dos líderes da organização criminosa, presos no Paraguai também nesta data. Um dos fatos que ajudou na identificação de sua participação foram os gastos incompatíveis com sua renda.

“Esta pessoa sediada em Cuiabá tem vinculo com outras pessoas da organização. Ele não movimenta conta bancária em nome próprio. Não declara renda para a Receita Federal. Está tudo em nome da esposa. Não sabemos se há relação de parceria ou subordinação. Tanto é que existe o vídeo da festa realizada no Lago do Manso, onde é possível vê-lo”, explicou o delegado Lucas Vilela, responsável pelo caso.

A festa em questão foi realizada em 2017 na ‘Pousada Paraíso’, localizada no Lago do Manso, em Chapada dos Guimarães. Na ocasião, a ostentação foi tamanha que até a dupla Bruno e Marrone foi contratada para tocar no evento.

O empresário possui relação de parceria com os líderes da organização criminosa, havendo diversos veículos deles expostos à venda na empresa. 

Apesar do patrimônio ostentado pelo proprietário de fato da garagem, ele não possui contas bancárias abertas em seu nome e não apresenta declaração de imposto de renda há anos. 

O conjunto de bens registrado em nome da sua esposa e o padrão de vida que ambos mantêm estão longe de ser compatíveis com as receitas obtidas com a revenda de veículos, explica a PF.

Além disto, as foram obtidos dados bancários e fiscais da empresa, onde aferiu-se que a sua estrutura serve à lavagem de capitais, havendo verdadeira mescla de capitais lícitos e ilícitos nas contas bancárias.

 
A operação leva o nome de ‘Status’ justamente por conta da ostentação pregada pelos líderes da organização criminosa. Durante as investigações, segundo o delegado de Polícia Federal, Lucas Vilela, responsável pelo caso, descobriu-se que os líderes do grupo – que moravam atualmente no Paraguai – foram responsáveis pelo aparelhamento da propriedade no Manso.
 
“Foram eles que compraram mobília, motos aquáticas, lanchas, entre outros. Foi constituída uma empresa no nome de uma pessoa de confiança da organização criminosa. Eles utilizavam o local como uma casa de campo. Lugar que eles costumavam passar as férias, ter seus momentos de lazer”, disse o delegado.
 
A pousada, conforme apurou o Olhar Direto, está no nome da mulher do empresário Tairone Conde Costa, preso preventivamente durante a operação. Apesar disto, ela não teve ordem restritiva contra ela.
 
O empresário teve o mandado de prisão preventiva cumprido nesta sexta-feira, em Cuiabá. Além disto, os agentes da PF também estiveram na concessionária de luxo (Classe A Motors), na pousada e na casa do alvo, onde fizeram buscas por documentos que ajudem a comprovar as acusações.

O auditor fiscal da Receita Federal, Henry Tamashiro de Oliveira, disse que a análise feita durante a investigação foi complexa e vasculhou os detalhes de 95 pessoas, além de empresas. “Identificamos pessoas físicas que não tinham rendimentos ou como ter origem patrimonial que adquiriram bens, fizeram compras na ordem de R$ 2 milhões em um ano e meio. Além disto, tem questões de veículos adquiridos que passaram de pessoas para pessoas que não tinham lastros patrimoniais”.

Segundo as investigações da PF, o esquema criminoso investigado tinha como ponto principal a lavagem de dinheiro do tráfico de cocaína, por meio de empresas de “laranjas” e empresas de fachada, dentre as quais havia construtoras, administradoras de imóveis, lojas de veículos de luxo, dentre outras.

A estrutura, especializada na lavagem de grandes volumes de valores ilícitos, também contava com uma rede de doleiros sediados no Paraguai, com operadores em cidades brasileiras como Curitiba, Londrina, São Paulo e Rio de Janeiro.

Estão sendo sequestrados mais de R$ 230 milhões em patrimônio do tráfico de drogas no Brasil e no Paraguai. No Brasil estão sendo sequestrados e apreendidos 42 imóveis, duas fazendas, 75 veículos, embarcações e aeronaves, cujos valores somados atingem R$ 80 milhões em patrimônio adquirido pelos líderes da Organização Criminosa.
 
A Operação Status se destaca também por ser um modelo de cooperação internacional entre a Polícia Federal e a SENAD/Paraguai, ressaltando que, somente em solo paraguaio, estão sendo sequestrados dez imóveis, no valor aproximado de R$ 150 milhões.
 
Policiais federais cumprem, também, oito mandados de prisão preventiva e 42 mandados de busca e apreensão, além das ordens de sequestro já mencionadas, todas expedidas pela 5ª Vara Federal em Campo Grande/MS.
 
Em Mato Grosso, são cumpridos os seguintes mandados: Cuiabá (três de busca e apreensão e um de prisão preventiva); Barra do Garças (dois mandados de busca e apreensão em fazendas); Primavera do Lestes (dois mandados de busca e apreensão).

A operação foi batizada de “Status” em alusão à ostentação de alto padrão de vida mantida pelos líderes da organização criminosa, com participações em eventos de arrancadas com veículos esportivos de alto valor, contratação de artistas famosos para eventos pessoais e residências de luxo.

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