Tensões entre China e EUA devem trazer baixa para o mercado de soja

Conflito entre as duas nações pode, contudo, favorecer o Brasil, avalia o sócio-diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira

Via Canal Rural

Imagem por: Ken Ritchie por Pixabay 

As tensões entre China e Estados Unidos se intensificaram após a presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, visitar Taiwan. O governo chinês ameaçou tomar medidas fortes contra o país norte-americano e afirmou que a visita soa como uma provocação, já que a ilha se declara independente, mas Pequim a considera como uma província.

Porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Ruá Tchunhemg afirmou que qualquer contato com Taiwan por parte do governo dos Estados Unidos seria considerado não oficial. Com a presença de Nancy Pelosi em Taipé, o governo chinês afirmou que irá conduzir uma série de operações militares conjuntas ao redor de Taiwan. Programada para o estreito que separa os dois territórios asiáticos, as atividades incluem tiros e lançamento de mísseis.

Diante do aumento da tensão entre as duas principais economias do planeta, o sócio-diretor da Pátria Agronegócios, Matheus Pereira, avalia que o Brasil pode se beneficiar com tal situação. Isso, porém, apenas num segundo momento. Caso a briga entre as duas potências — econômicas e bélicas — avance, a tendência é que o temor atinja todo o mercado internacional de commodities, sobretudo no comércio da soja.

“A escalada desse novo conflito pode trazer bons frutos comerciais para a soja e o milho no Brasil” — Matheus Pereira

“Essa tensão coloca medo nos bastidores do mercado agrícola, principalmente na soja”, pontuou Pereira em conteúdo enviado especialmente para o ‘Mercado & Companhia’, telejornal exibido pelo Canal Rural. “Qualquer tipo de tratativa norte-americana com Taiwan pode trazer retaliações dos chineses para os Estados Unidos”, prosseguiu o executivo.

“Isso traz baixíssimo [valor] para as cotações, já que pode haver barreiras de exportação que pode concentrar compras aqui do Brasil”, pontuou o sócio da Pátria Agronegócios. “Porém, depois da [eventual] concentração da demanda chinesa no nosso produto, a escalada desse novo conflito pode trazer bons frutos comerciais para a soja e o milho no Brasil”, concluiu Pereira.

China, EUA, Taiwan e o mercado de soja e milho

Glauber Silveira | Foto: Reprodução/Canal Rural

Glauber Silveira. Foto por: Reprodução/Canal Rural

Comentarista do Canal Rural, Glauber Silveira ressaltou que uma briga entre China e Estados Unidos “não é positiva para ninguém”. Nesse sentido, ele avaliou que pode ocorrer com a soja e o milho produzidos no Brasil o que ocorreu com a suinocultura. Em algum momento, os chineses demonstram interesse em aumentar o nível de exportação, mas, depois de conflitos resolvidos, acabam por, indiretamente, reimplantar a sua própria produção — ou voltar a negociar com outros mercados.

“Qualquer bloqueio entre países do tamanho de China e Estados Unidos é muito tenso e negativo” — Glauber Silveira

“O produtor acaba investindo, aumentando as matrizes. Aí, a China se restabelece e o produtor fica com o ‘mico’ por aqui”, afirmou Silveira ao conversar com a apresentadora Pryscilla Paiva. “Qualquer guerra, qualquer restrição e qualquer bloqueio entre países do tamanho de China e Estados Unidos é muito tenso e negativo para todos”, enfatizou o comentarista do Canal Rural.

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Foto por: Freepik

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